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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Politicaia

(dance)Ô cumpade, diacho é isso?
Qu'istória comprida é essa?
Só pode ser um comício
Com tanto riso e promessa
Lá vem de novo os dotô
Discursano iguá aos atô
Quando encena uma peça.

E não é teatro sem par
Que os home sabe fazê?
Diz que vão 'representá'
O povo lá no podê
Mas pra falá com razão
Essa representação
É bem a arte de Molière.

Os traste são dessas laia
Que não se acanha com nada
Mermo debaixo de vaia
Véve dando risada
É que deboche e ironia
Mentira e hipocrisia
É a parte mais encenada.

É P disso e P daquilo
Tanto P de encher o saco
Politicaia sem estilo
Parentela de macaco
Ficam pulando os partido
Nos PQP 'stão metido
Não pulam se o P não é fraco.

E que programa eles têm
Os parasita infiel?
Se é fiel é que convém
Pra se manter no papel
E o que esses home programa?
Dinheiro, podê e fama
Prestígio de coronel.

Nos currá eleitorá
O pobe do analfabeto
Só tem a palavra pra dar:
Qu'é a garantia dos honesto
E dando o voto ao 'cidadão'
Lhe dá um aperto de mão
Pra confirmá o seu gesto.

E assim empenhado seu voto
Não pode vortá atrás
Que é desonra e desgosto
Traição infame demais
Entonce o aproveitadô
Inda pede aos eleitô
Pra ser cabo eleitorais.

Ter palavra é respeitá
A si mermo sendo honesto
E ciente de votá
Sem consciência do gesto
O pobezim só convém
Se, ignorante, tombém
Ignorar o protesto.

Inleição pra esses coitado
É tempo de festejá
De andar abraçado
Com o prefeito do lugá
De espaiá que bebeu
Com o deputado que deu
Camisa e chinelo pra andá.

Política, meu patrão
É essa politicage
É comer comissão
E mais outras vantage
Ser mais um representante
Das elite dominante
No bê-a-bá da sacanage.

O cantador repentista João Furiba, poeta nascido em Taquaritinga do Norte - PE, em 1927, segundo consta do excelente livro POETAS ENCANTADORES do cantador e poeta Zé de Cazuza, glosou em decassílabo o mote que lhe fora dado em um festival de cantoria em Patos, na Paraíba:

Eu recordo que um certo candidato
Lá em casa chegou de cara lisa,
Prometeu-me uma calça, uma camisa,
Um chapéu, a gravata e um sapato,
Na parede pregou o seu retrato,
E eu lhe disse: meu voto é do senhor,
Prometeu um pirão de corredor,
Não deu nem a farinha do pirão,
Com três meses depois da eleição
Ninguém lembra o que disse ao eleitor.  

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