sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ipê Apaixonado

Eu fui um apaixonado ipê
Que ostentava uma copa frondosa
U’a ramagem rica, viçosa
Plantado de u’a montanha ao sopé.

Habitei u’a paisagem de afresco
Só vista em tela nos salões reais
E cheio de flores primaverais
Vertia aroma de puro ar fresco.

Junto a meu tronco amantes se amavam
E seus desejos despertaram o meu
Senti bem a emoção que os envolveu
Quando os corpos seus braços buscavam.

Um dia u’a haste meu tronco buscou
Por delgadas e aéreas raízes
Eu ansiando estações mais felizes
Ela a outra planta então me enrolou.

A haste à flor da pele me deixou
Pois por suas raízes veio aquela
Para quem dei minha seiva, e por ela
Desfolhei-me – que ela só me usou.

Foi a hera gentil trepadeira
Que à drósera insetívora me uniu
E por sua ânfora de mel se abriu
A atrair-me qual planta rameira.

Enquanto a drósera assim me envolvia
Em sua dança fatal de serpente
Seu mel – que eu quis gerasse u’a semente
Deu-lho  ao ser alado a quem atraía.

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