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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Venda de Dona Ana

Na tabuleta da entrada
Da venda de dona Ana
Um letreiro diz assim:
Aqui nós vende banana
Pé-de-moleque, aipim
Abacaxi, cajarana
Alho, cuminho, alecrim
Aguardente de cana
E bolo feito por mim.

Inda tem na prateleira
Coisa que só pra vender
Sorda, refresco e cocada
Carne de charque, dendê
Leite de cabra, coalhada
E fulô de mussambê
Ciscador, foice, enxada
Coisas pra véi e bebê
Tem de tudo, falta nada.

Tem tanta coisa o balcão
Qu’inté se esqueço o que tem
Broa, nego bom, mariola
Cuscuz, milho seco e xerém
Boneca de pano e bola
Troço que entope o armazém
Penico mais caçarola
E ano que vem inda vem
Borracha pra meia sola.

Kisuco, sardinha na lata
Balinheira e anzol
Neocid, mata-barata
Bolacha, carne-de-sol
Coleira pra vira-lata
Bola de gude, iô-iô
Kitute, manteiga de nata
Pimenta do reino, jiló
E caderneta não falta.

E tem atrepado em riba
Mercadoria aos montão
Guardada mode faltar
Conga, precata ou botão
Fumo, farinha, cará
Gaiola de passo e alçapão
Oliado, mungunzá
Chapéu de couro, gibão
Ou rede do Ceará.

Don’Ana apois vende tudo
E a venda fica de esquina
Agúia e linha de cor
Corpete para menina
Puxa, alfinim, pão de ló
E bugiganga da China
Inté modes vende, doutor
E coisas que nem se imagina
Que se vê no televisor.

E tem tombém pra vender
Um mói de troço do sul
Pois essa venda é sortida
Entonce vende xampu
Sainha e blusa florida
E queijo com tapuru
Que vem de Minas, duvida?
E uns cachete no baú
Pra sarar dor e ferida.

E pode espiar se não tem
Tudo que tá arrolado
Tecido tergal e de brim
Brote, cocorote, beiju
Goma de tapioca, dindim
Castanha e mel de uruçu
Piaba do açude, toicim
Ribaçã, rolinha, nhambu
Né mentira não: tem tudim.

Um balai de miudeza
É o pau que mais tem acolá
Biscuí pra riba de mesa
Eu truxe e posso provar
Bule, espelhim de princesa
Jogo do bicho e bilhar
Pr’as noites com vela acesa
Só falta uns quartim no quintá
Mode fazer safadeza.

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