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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Milho, feijão e seca

Se planto milho dá espigas
De se entulhar no quintal.
Mas sem chover colho intrigas,
Só faltam cobrir-me no pau.
Brigas na roça, mais brigas
Em casa e no banco rural.

Os roceiros pedem feira,
Os guris choram por pão,
A mulher chama a parteira
E é mais uns óio pidão,
E a financeira parceira
Quer seu dinheiro na mão.

Fica pior se a lagarta
Empestar o milharal.
Não vai haver mesa farta
Porque a perda é total.
Feijão da haste não aparta,
Morre enrolado no pau.

Mesmo catando na roça
Um milhozinho livrado
Não chega pra mão de moça
Fazer qualquer preparado.
Precisava encher uma poça
Só de milho gorado.

E das bagens do feijão
Em cada pezinho de milho
Fica só um cinturão
De casca seca, que empilho
Num paiol, e do mourão
Vejo a queimada, meu filho.

E toda seca é igual:
Perco um pedaço de chão
Que vai pro banco rural.
Plantar é meu ganha-pão,
E se não vinga o milharal
Também não colho o feijão.

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