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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Glosas V

No meu tempo de menino
Eu queria ser o mocinho,
Qualquer herói de quadrinho,
Da justiça um paladino;
E com o poder genuíno
Imaginava um instante
Surfando a vaga espumante
Pra salvar um peregrino;
Quando eu era pequenino
Era tal qual um gigante.


Quando eu era assim franzino
Eu me sentia um herói,
Sem consciência que dói
Nem alma de libertino;
Eu era um justo ladino
Querendo o bem triunfante,
Sonhando ser governante
Pelo poder do destino;
Quando eu era pequenino
Era tal qual um gigante.


Naquele tempo meu hino
Cantava a fé, liberdade,
O amor que eu tinha à verdade
Fazia sentir-me divino;
E eu, um forte latino
Defendia a bela amante
Do lobisomem errante,
Das garras do assassino;
Quando eu era pequenino
Era tal qual um gigante.


Eu lampião virgulino
Em peleja ou em mourão
Contra infiéis no sertão
Vencia o verso ferino;
Ó meu sertão severino,
Com a mesma arma de Dante
Mas em cordel fuzilante
Rasgava o mote malino;
Quando eu era pequenino
Era tal qual um gigante.

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