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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mãos e Terras do Sertão

Essas mãos tão calejadas
Em suas palmas rachadas
Estão assim maltratadas
De tanto roçar a terra
Pra plantar milho, feijão
Jerimum e algodão
No chão seco do sertão
Que sangra mãos e desterra...

Essas mãos assim inchadas
De tantos cabos de enxadas
Roçando terras queimadas
E se lavando no mangue,
São mãos nutridas assim:
Tirando o seco capim,
Se cortando nos  'espim'
Se alimentando do sangue...

Essas mãos tão ressecadas,
Pelas saúvas picadas,
Estão assim deformadas
Porque minha vista anda turva;
Mal vejo as covas que faço,
Não sinto o mato que amasso,
E essas mãos, sem cansaço
Esperam em vão cair chuva...


Pois essas mãos caveiradas,
Mãos já demais exploradas
Por deixar pedras talhadas,
Só esperam a chuva cair
Pr'as covas que fez, de repente
Se abrirem pra cada semente
Sair da terra -- ou urgente
Ter que mais fundas abrir...

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