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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Martelo Agalopado II

Lembrar da infância traz sempre alegria,
Fase da vida em que tudo são flores,
A mãe e o pai inda são seus amores
Cuidando, educando e sendo seu guia;
Brincando num mundo só de fantasia,
Sua casa é o teto onde há sempre guarida,
Riso na entrada e pranto na saída
Capaz de regar o jardim da saudade;
Pudesse de novo ter a mocidade
Seria criança toda a minha vida.


Eu vejo em cada semblante infantil
A expressão da pureza do divino
No rostinho corado de um menino
Correndo alegre sob um sol hostil;
Quando conta inocente pra um tio
Uma arte que fez, esta é ouvida
Mas diz que pra Deus é já esquecida,
Que Jesus lhe garante a liberdade;
Pudesse de novo ter a mocidade
Seria criança toda a minha vida.


Quem dera se o tempo voltasse atrás
Quando riam das minhas peraltices,
Ingenuidades, gracejos, tolices
Que davam vida à casa dos meus pais;
Queria de novo ancorar nesse cais
A nau da minh'alma há tempo perdida,
Voltar às águas da infância querida
Onde não há de paixões tempestade;
Pudesse de novo ter a mocidade
Seria criança toda a minha vida.

Versos inspirados no mote magnificamente glosado pelo poeta Erasmo Rodrigues, natural de Ouro Velho - PB, nascido em 1940. No belíssimo livro POETAS ENCANTADORES, do cantador e poeta Zé de Cazuza, encontra-se este poema intitulado VINTE E OITO ANOS:

Vinte e oito janeiros me jogaram
Na cadeia dos tristes desenganos
Sinto falta dos meus quatorze anos
Que a soma dos meses apagaram.
Os meus dias felizes lá ficaram
Pela rua da infância adormecida
A barcaça da existência fez partida
Pela água do rio da saudade
Se dinheiro comprasse mocidade
Eu seria criança toda a vida.

Uma noite de inverno, um dia quente,
Um domingo ou por outra um feriado,
Um riacho no leito do roçado
E os estrondos do peso da enchente.
Um açude sangrando, lá na frente,
As saudades da infância inesquecida
Mas o tempo tem ordem permitida
Pra dar fim aos prazeres da idade
Se dinheiro comprasse mocidade
Eu seria criança toda a vida.

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