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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pais e Filhos no Sertão

O filho do sertanejo
Quando começa a aprumar
Então já pode ajudar
Lá no preparo do queijo,
Que é assim no lugarejo
Que se cria a molecada,
Pra depois fazer coalhada
E farinha de mandioca,
Dar milho a galinha choca,
Tocaiar vaca amojada.

A mãe dispensa o menor
Por já lhe ter ajudado
Enquanto o pai no roçado
Junto com o filho maior
Pega a semente melhor
Pra ir fazer o plantio
Na beira do seco rio
Onde, num pouco de lama,
Pode vingar uma rama
Mesmo sem chuva o baixio.

Tem uns meninos taludos
Que já se arranjam sozinhos,
Acordam com os passarinhos
Dando gorjeios agudos,
Com os vira-latas raçudos
Saem para uma caçada
Pra derrubar a pedrada
Ou com uma arma de soca,
Tirar peba da toca
Pra ele cair na cilada.

A meninada trabalha
Antes de ir pra cidade
Ou depois que volta, à tarde,
Da escola, ainda ralha;
O estudo não atrapalha
Nem o serviço atrasa;
Inda tem tempo em casa
Pra estudar e brincar
Rezar, dormir e sonhar
Com carne e queijo na brasa.

Consta no espetacular livro POETAS ENCANTADORES do poeta e repentista Zé de Cazuza, que é do cantador repentista Pinto do Monteiro, poeta nascido em Monteiro - PB, em 1896, e falecido em 1990, esta décima glosada de forma magistral:

Me lembro perfeitamente,
Quando em minha idade nova,
O meu pai cavava a cova
E eu plantava a semente.
Eu atrás, ele na frente,
Por ter força e mais idade,
Olhando a fertilidade
Da vastidão da campina,
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade.

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